SIMCA - "OPERAÇÃO ROBUSTEZ"...
Esse era o nome nos bastidores do Teste de Resistência da barata, iniciada em 01 de Outubro de 1964.
Durante 44 dias e 44 noites, um Simca Tufão rodou 120.048 km a 113,1 km/h sem parar.
O local escolhido foram os 224 km da BR-7, no trecho entre Paracatu e Brasília. Era necessário realizar a prova em uma estrada com trânsito normal para que o resultado refletisse efetivamente no uso de um carro em condições normais, mas dentro das normas de segurança que não poderiam ser mantidas em rodovias de trânsito demasiadamente denso.
Depois de terem sido considerados diversos trechos de estrada, o circuito ficou definido e, a zero hora do dia 1 de outubro de 1964 foi iniciada a prova com início em Paracatu.
Depois de iniciada a prova, o Simca rodou ininterruptamente, o seguinte cronograma:
Pilotos reservando-se após cada percurso de 448 km. Quer dizer, que cada piloto tocava a barata por 3h e 50 minutos consecutivos, mais ou menos igual a distância de Paracatu a Brasília ida e volta.
Eram pilotos de teste da fábrica que faziam na estrada velha de Santos diariamente testando os lançamentos, peças pneus e por aí vai, para a engenharia da fábrica, outros foram contratados só para o teste .
O numero exato eram 12, sendo os contratados a saber :
Gunter Heilig, Luciano Onken, Manoel de Oliveira, Jose Gorga Neto (cunhado do Tõco), Edson Biston , Alberto Savioli , Carlos Calza (fazia parte do departamento de corridas, freqüentava Interlagos)
Os pilotos da equipe oficial do depto de corridas:
Ubaldo César Lolli, Jaime Silva, J . F Lopes Martins (Tõco), Walter Hahn Junior e o próprio Geoges Perrot que também fazia revezamentos para sentir o carro. O Ciro Caíres esteve por lá não me lembro se chegou a pilotar, creio que sim.
As escalas eram feitas pelo Perrot, e as vezes dependendo da disposição de cada um as escalas eram mudadas, mas sempre com períodos de descanso, etc.
A velocidade era livre porém com critério para se fazer os 224 Km, a ordem era baixar a bota mas sem quebrar!
Existia sempre uma ida e volta super rápida onde era quase tudo de pé em baixo, se não estou enganado era uma ficha a ser carimbada em Brasília pelo ACB com o horário exato da chegada,(relógio ponto) lá era só controle super rápido. Dai se aumentava ou não a velocidade para manter a média sempre alta no final.
Cada piloto só voltava ao volante, 20 horas depois.
Dois postos de controle da ACB, um em Paracatu e outro em Brasília. Em Paracatu, era a troca de pilotos; abastecimento; lubrificações se necessário e revisões simples, sempre sob o controle dos técnicos da ACB, em registro num livro oficial.
As passagens nos postos de controle, foram duplamente registradas na ficha do próprio posto e numa cópia que seguia com o carro.
No transcorrer da prova, surgiram fatores que contribuíram para valorizar o teste. O clima na região caracterizava-se pelas oscilações, que durante o dia era um calor insuportável e na calada da noite, vinha o frio. E completando com os fortes temporais, que formavam verdadeiros lagos na estrada, o que dificultava demais o andamento da prova.
Na região, os pilotos enfrentaram nuvens de insetos, que batiam de encontro ao para brisa, emperrando os limpadores, fora os animais que atravessavam a pista, exigindo extrema cautela e provocando verdadeiras manobras dos pilotos para manter a estabilidade da barata.
Mas com toda a perícia, o Simca Tufão sofreu um acidente durante um temporal, depois de 44 dias e 44 noites. As partes mecânicas não foram atingidas, proporcionando a condução até o final da prova. No entanto dada a quilometragem já atingida, 120.048 km, foi encerrado o teste de resistência. E o que queriam mostrar sobre o carro já estava demonstrado. E o slogan estava montado - O Simca Tufão é o Carro Nacional Mais Resistente.
E depois do acidente, rodou por mais de cinco dias, mostrando a eficiência do modelo. Parabéns aos pilotos, mecânicos, engenheiros e toda a tropa envolvida no teste de resistência da Simca Tufão...
Saloma/Walter Hahn