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O pão de cada dia: História da Kombi 57-75 no Brasil.
VW Br

Enviado em 12/11/2008 as 05:20 por Tio Lin

Gutten Tag, carrófilos!
 
A história de hoje é sobre um dos veículos pioneiros de nossa indústria automobilística, e que 50 anos depois ainda sai das linhas de montagem de seu fabricante. Carinhosamente chamado por alguns de “Pão-de-Forma”, ele é polivalente, imbatível, e, aparentemente, imortal. Seja a passeio, seja a trabalho, seja a caminho da escola, quase todos os brasileiros já rodaram a bordo desse veículo . É a eterna Kombi, cuja história de sua primeira geração na Alemanha e de seu modelo correspondente no Brasil, fabricado até 1975, contamos a seguir.
 
Na Alemanha: A História da Kombi começou em abril de 1947 a partir do esboço de um veículo comercial sobre a base mecânica do Volkswagen Sedan (Fusca) elaborado por Ben Pon.
 
Ben Pon, importador e distribuidor oficial da Volkswagen em território holandês, concebeu um veículo com o motorista posicionado sobre o eixo dianteiro, motor traseiro e espaço reservado à carga entre os dois. Assim previu-se um utilitário com boa distribuição de pesos sobre os eixos, estando ele vazio ou carregado.
 
Em 1948, a Volkswagen iniciou o desenvolvimento de tal veículo. Muitas peças em comum com o Sedan, principalmente motor e câmbio, foram aproveitadas. Apesar do mesmo entre-eixos do Sedan (240 cm), a arquitetura deste, com sua carroceria montada sobre uma plataforma estampada em aço, foi descartada pois nos testes mostrou-se inadequada à utilização num veículo comercial sujeito a transportar pesadas cargas. Em seu lugar adotou-se a estrutura de carroceria monobloco.
 
Em 1949 estava pronto o primeiro protótipo da Kombinationfahrzeug (veículo combinado de uso misto) ou, simplesmente, Kombi. Na fábrica a Kombi era também conhecida como Typ 2 (Tipo 2), uma vez que o Sedan, como primeiro modelo de fabricação em série da Volkswagen, era considerado o Tipo 1. Ao público, o veículo foi ofertado como Transporter, mas era chamado mais comumente de Kombi, Bus ou Kleinbus. Enfim, pode-se dizer que a Kombi foi das primeiras minivans do mundo, décadas antes deste termo ser utilizado.
 
Em 8 de março de 1950 deu-se o início da fabricação da Kombi na fábrica da Volkswagen em Wolfsburg. Assim como o Sedan, vinha com motor traseiro de 4 cilindros opostos arrefecido a ar, com 1131 cm3 de deslocamento e potência de 25 hp. A primeira versão disponível era a furgão fechado, sem janelas, para o transporte de cargas, com capacidade para transportar até 750 Kg. Seguiram-se a versão para passageiros, com janelas, bem como modelos para aplicações especiais, tais como a ambulância, carro policial e carro funerário. Em setembro de 1952 chegou a versão picape.
 
Em 1953, a Kombi furgão alemã  recebeu vigia e pára-choque traseiros (até então ausentes) e a linha passou a utilizar o motor 1200, mais precisamente 1192 cm3, e 30 hp. A potência deste motor subiu para 36 hp através de ligeiro aumento da taxa de compressão, em 1955. Outra versão do mesmo motor, com 40 hp, surgiu em 1959.
 
Em 1954, a Volkswagen atingiu a marca de 100.000 unidades da Kombi produzidas, no mesmo ano em que todas as versões passaram a ser disponíveis também com volante de direção montado do lado direito, visando a exportação aos países de “mão inglesa”.
 
Em 1955, a Kombi recebeu algumas modificações mais visíveis, tais como o avanço do teto sobre o pára-brisa dianteiro para alojamento de uma tomada de ar para ventilação do habitáculo, e um remodelação da traseira, na qual a tampa de acesso ao motor passa a ser menor ao mesmo tempo em que outra tampa acima desta passa a dar acesso à plataforma de carga sobre o compartimento do motor. Desta forma, o pneu reserva, até então alojado horizontalmente num compartimento acima do motor, passou a ocupar outro compartimento, na divisória entre os bancos dianteiro e intermediário.
 
Em 1956 a produção da Kombi alemã foi transferida para a nova fábrica em Hanover, especialmente planejada para a produção de Kombis. Em outubro de 1962, a Volkswagen atingiu a marca de 1 milhão de Kombis produzidas. Naquele mesmo ano, a Volkswagen passou a oferecer uma versão para trabalhos pesados, com motor 1500 (1493 cm3, 52 hp) e capacidade de carga ampliada para 1 tonelada. As versões assim equipadas fizeram tanto sucesso que efetivamente substituíram, uma ano mais tarde, a versões com motor 1200. Em 1963, a Kombi tornou-se ainda mais versátil, com o uso de uma tampa traseira mais larga, e, opcionalmente, portas laterais corrediças.
 
Assim como o Fusca, a Kombi seguiu pelos anos recebendo aprimoramentos técnicos e novas versões, tais como a picape cabine dupla (1958), a Camping, com teto e aparatos internos produzidos pela empresa Westfalia, o furgão com teto alto (High Roof Panel Delivery) e a curiosa e pouco conhecida versão furgão com portas laterais em ambos os lados (Walk-Through Panel Van). Porém, a mais carismática e procurada pelos colecionadores é a Samba (1951), uma versão para passageiros, com acabamento Luxo, pequenas janelas na curvatura da capota, acompanhando as janelas laterais, e um enorme teto solar de lona.
 
Como veículo comercial leve para entregas em áreas urbanas, a Kombi foi um grande sucesso de mercado. Quando exportada para os Estados Unidos, prestou-se também ao movimento da contra-cultura durante os anos 60, fazendo muito sucesso entre os hippies devido ao seu baixo preço no mercado de usados, custo operacional acessível, capacidade de carregar muitos passageiros, ou mesmo prestando-se a ser um pequeno motorhome.
 
Em meados de 1967, teve fim a produção da primeira geração da Kombi na Alemanha. A chamada T1 é substituída em agosto daquele ano pela segunda geração, a T2, que incorporou vários aprimoramentos que só seriam vistos nos modelos brasileiros em 1975 (estilo frontal, portas com janelas de abaixar, motor 1600) e 1997 (porta-lateral corrediça, janelas laterais grandes).
 
No Brasil: A história da Kombi no Brasil começou pouco depois do início de sua fabricação na Alemanha, ao raiar dos anos 50. Sua importação e distribuição se dava através da Brasmotor, à época também importadora oficial dos veículos norte-americanos da Chrysler.
 
Diferentemente do Sedan, que tinha unidades importadas já prontas ou em forma de CKD, estas montadas nas instalações da Brasmotor em São Bernardo do Campo (SP), tem-se notícia de que apenas unidades montadas (CBU) da Kombi foram trazidas da Alemanha. O registro mostra que 900 unidades foram trazidas e comercializadas pela Brasmotor no Brasil entre 1950 e 1953.
 
Em 23 de março de 1953 foi criada a Volkswagen o Brasil, que assumiu a importação e montagem de seus veículos, num galpão alugado à Rua do Manifesto, no bairro do Ipiranga, em São Paulo (SP). Naqueles mesmo ano, o Governo proibiu a importação de veículos completamente montados, numa atitude que já previa o processo de nacionalização da produção de veículos no Brasil a partir de 1953. Assim sendo, a Volkswagen importou Kombis apenas em CKD, tendo montado apenas 552 unidades entre 1953 e 1957.
 
Eis que, sob as diretrizes do GEIA para a efetiva produção de veículos em território brasileiro, a Volkswagen determinou aquele que seria seu maior investimento fora da Alemanha à época: a construção, a partir de 1956, de uma fábrica Volkswagen no Brasil, mais precisamente em um enorme terreno às margens da Via Anchieta, em São Bernardo do Campo (SP), pouco distante das instalações da Brasmotor.
 
Embora inaugurada oficialmente em 1959, a fábrica de São Bernardo já produzia Kombis desde 1957, tendo-a lançado oficialmente do dia 2 de setembro daquele ano, quando a primeira unidade brasileira deixou a linha de montagem já carregando 50% de seu peso em componentes de fabricação nacional.
 
Tal qual o modelo alemão que lhe deu origem, a “nossa” Kombi chegou equipada com o tradicional motor traseiro de 4 cilindros opostos, refrigerado a ar, com 1192 cm3 e 36 hp, 4 marchas (1ª não sincronizada), suspensão independente nas 4 rodas, por barras de torção e amortecedores telescópicos, freios a tambor nas 4 rodas, e capacidade de carga de 800 Kg.
 
Visualmente, a primeira Kombi brasileira espelhava a alemã, com seu característico perfil monovolume, o pára-brisa bipartido com vidros planos, as janelas de correr nas portas dianteiras, a porta lateral direita em duas folhas, e os piscas do tipo “bananinha” montados nas colunas.
 
A Kombi brasileira era oferecida nas versões Furgão (sem janelas laterais), destinada exclusivamente ao transporte de carga; Standard, com janelas laterais (4 de cada lado), 3 fileiras de bancos, capacidade para até 9 passageiros e bancos traseiros removíveis; e Especial (também chamada Luxo), que repetia as características da Standard e acrescentava interior com forrações laterais e no teto, pintura externa em dois tons separados por friso de alumínio e alguns acessórios cromados.
 
Em fins de 1960, a linha Kombi brasileira cresceu com a nova versão 6 portas nos acabamentos Standard e Luxo. A Kombi 6 portas nasceu como um modelo exclusivo do mercado brasileiro, quando a legislação local não permitia a utilização de carros de 2 portas para o uso como táxis. Como seu único outro modelo, o Sedan 1200, tinha apenas 2 portas, e uma versão de 4 portas deste teria um custo de adaptação inviável, a Volkswagen do Brasil optou pela oferta de uma Kombi com portas laterais, duas para cada fileira de bancos, totalizando 6 portas. Além do mercado de táxis, a Volkswagen mirava também o mercado de turismo (hotéis, aeroportos), serviços (lotação, frotas de empresas), e mesmo de famílias, que teriam outra opção aos tradicionais sedãs e utilitários grandes da época.
 
Em 1961, as luzes indicadoras de direção (piscas), popularmente conhecidas como “bananinhas”, foram substituídas por lanternas dianteiras convencionais, montadas um pouco acima dos faróis. Devido ao seu formato saliente, estas lanternas foram apelidadas de “tetinhas”. Novas também as lanternas traseiras, ainda redondas porém com maiores dimensões. Nesse ano, a 1ª marcha passou a ser também sincronizada. No final do ano, o índice de nacionalização de componentes da Kombi atingiu a marca dos 95%.
 
Em 1962 a linha adotou novas lanternas traseiras, em formato semi-oval, incorporando as luzes indicadoras de direção. A linha 1963 foi marcada pela adoção (exceto no 6 portas), de mais uma janela em cada lateral, onde antes havia um ponto cego, na altura da plataforma de carga. Os cantos traseiros da carroceria também se beneficiaram da inclusão de janelas curvas, e o vigia traseiro ficou maior. No conjunto, as novas janelas proporcionaram mais luminosidade ao habitáculo e melhor visibilidade ao motorista.
 
Na linha 1965, os piscas dianteiros do tipo “tetinha” foram substituídos por unidades redondas maiores e mais rasas, apelidadas de “ovo frito” ou “olho de peixe”. As aletas de refrigeração do motor passaram a ser estampadas com as abas voltadas para dentro, e o motorista beneficiou-se da inclusão de esguichador de água no pára-brisa, trava de direção e sistema de lubrificação permanente da caixa de direção.
 
Sem maiores alterações estéticas, a linha 1967 aprimorou-se com a substituição do fraco motor 1200 pelo novo 1500 (1493 cm3, 52 hp), o que permitiu que a capacidade de carga fosse ampliada de 810 para 970 Kg. Outras alterações na linha ’67 foram a adoção de estabilizador na suspensão dianteira e novo fecho da tampa traseira.
 
Apresentado em fins de 1966 como nova versão para a linha 1967, a Kombi apresentou também sua versão Pickup, com uma ampla plataforma aberta para carga de 845 Kg e cabine com capacidade para 3 passageiros. Possuía ainda um compartimento de carga fechado, num vão compreendido entre a cabine e o compartimento do motor, que, além de abrigar o pneu estepe, podia levar mais objetos, tais como caixa de ferramentas e bagagem pessoal. Apesar de apresentada como modelo ’67, a Kombi Pickup só teve sua produção iniciada em junho daquele ano. A princípio, as abas laterais da caçamba eram confeccionadas em madeira; em 1968 passaram a ser em aço estampado.
 
Na linha Kombi 1968, a Volkswagen ofereceu opcionalmente trava do diferencial e pneus lameiros, destinados a dar ao veículo melhor desempenho em terrenos arenosos ou barrentos. A opção foi descontinuada dois anos mais tarde devido à baixa procura.
 
Como ainda hoje, a Kombi fez muito sucesso por sua versatilidade, robustez, preço e baixo custo operacional. Não havia concorrentes diretos. A Rural-Willys era mais valente em terrenos difíceis, mas tinha menor capacidade de passageiros ou carga, e seu motor 6 cilindros não era um primor de economia de combustível. A Toyota Bandeirante tinha as mesmas limitações da Rural, e era bem mais cara, apesar de contar com um econômico motor a óleo diesel. As Chevrolet Amazona e Veraneio eram bem mais caras, bebiam muito e eram enormes quando comparadas à Kombi, que entre suas muitas vantagens tinha comprimento apenas 21 cm maior que o do Fusca, uma mão na roda quando se tem que circular em áreas urbanas congestionadas e para estacionar em vagas apertadas.
 
A linha Kombi seguiu sem maiores alterações até o modelo ’75. Já a linha ’76 foi bastante modificada, seguindo, ainda que parcialmente, o visual e as alterações mecânicas do modelo alemão de segunda geração lançado em 1967. Mas isso já outra história...
 
Produção: o volume total estimado de Kombis fabricadas no Brasil entre 1957 e 1975 é o seguinte:
 
ANOS
PERUA E FURGÃO
PICAPE
1957
371
-
1958
4.819
-
1959
8.383
-
1960
11.299
-
1961
16.315
-
1962
14.563
-
1963
14.428
-
1964
12.378
-
1965
13.114
-
1966
15.098
-
1967
20.221
957
1968
24.012
2.871
1969
26.518
1.735
1970
28.255
1.950
1971
26.219
2.097
1972
32.033
2.865
1973
40.748
3.335
1974
43.972
4.830
1975*
46.586
6.749
TOTAL
399.332
27.389
            * Inclui os modelos da linha 1976.

Tio Lin, novembro de 2008.


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