Hi, carrófilos do Brasil!
A história de hoje é sobre aquele que muitos consideram o melhor carro já produzido no Brasil. Era, sem dúvida, o maior, com seus 5,33 m de comprimento e 1.700 Kg de peso. Vamos contar a história do Galaxie, mas a partir do surgimento deste nome no Estados Unidos em fins dos anos 50.
Lá, o Galaxie foi lançado no início de 1959 como uma versão mais luxuosa do Ford Fairlane ’59, até então o topo de linha dos modelos do chamado tamanho-padrão, ou seja, carros grandes. O Galaxie foi a princípio pensado como uma resposta ao Chevrolet Impala surgido com a linha ’58 e que se tornara seu modelo mais luxuoso.
A linha Ford ’59 compreendia as séries Custom 300, Fairlane e Fairlane 500, com carrocerias sedã de 2 e 4 portas, Victoria hardtop coupé e sedan (2 e 4 portas sem coluna), além das peruas de 2 e 4 portas Ranch Wagon, Country Sedan e Country Squire (apenas 4 portas). Derivada desta linha havia também a picape Ranchero.
A família Ford ’59 era coroada pela série Galaxie, também ofertada com várias opções de carroceria: sedãs de 2 e 4 portas, hardtops Victoria de 2 e 4 portas, o conversível Sunliner, e o Skyliner, o conversível com teto duro retrátil, o modelo mais caro de toda linha Ford.
Além do acabamento mais luxuoso, o Galaxie diferenciava-se das outras versões por apresentar um teto de desenho exclusivo, inspirado naquele do Ford Thunderbird, mais retilíneo, com largas colunas traseiras e sem o vigia traseiro envolvente, tornando-o mais elegante e moderno.
Grande também era a variedade de motores e transmissões oferecidas. Motores 6 cilindros em linha 223 (3,7 litros e 145 hp) e V-8 292 (4,8 litros), 332 (5,4) e 352 (5,8), com potências variando de 200 a 300 hp, acoplados a caixas de câmbio manuais de 3 marchas com ou sem overdrive, ou automáticas Ford-o-Matic e Cruise-o-Matic
O Galaxie mostrou-se uma grande idéia da Ford, comprovado por seu sucesso comercial. Embora lançado meses após a apresentação das demais versões da linha ’59, o Galaxie contabilizou 464.336 unidades produzidas, de um total de 1.394.684 unidades da linha Ford ’59, ou seja, mais de 33% dos Fords grandes.
E assim os modelos grandes da linha Ford americana seguiram pelos anos 60. Novas carrocerias, novos interiores, novos motores e aprimoramentos mecânicos foram implementados. Houve mudança de geração (carrocerias redesenhadas) para os modelos 1960 e 1965. Houve também algumas alterações na nomenclatura das séries (acabamentos). Para 1962, por exemplo, todos os grandes Fords são chamados Galaxie, já que a série Custom foi temporariamente suspensa, e Fairlane passou a designar o Ford de tamanho intermediário, entre o Falcon e o Galaxie. A linha passou então a contar com as séries Galaxie, Galaxie 500 e Galaxie 500/XL. Para 1963, o nome Custom reapareceu na forma da série mais despojada da linha, a Custom 300.
A série Galaxie manteve-se no topo da linha até o modelo 1965. Para este ano, a linha de grandes da Ford foi totalmente remodelada, incorporando uma carroceria de contornos mais angulares e dois pares de faróis montados verticalmente. A linha agregava as séries Custom, Custom 500, Galaxie 500, Galaxie 500/XL e Galaxie 500 LTD, além das peruas Custom, Ranch Wagon e Country Squire. O Galaxie ’65 foi oferecido como sedan ou hardtop, de 2 ou 4 portas, conversível e peruas 4 portas para 6 ou 9 passageiros, com motores que iam do 6 cilindros 240 (3,9 litros) ao 427 V-8 (7 litros).
Para 1966, a carroceria sofreu ligeiras modificações na estamparia, com ângulos menos “afiados” e novos estilos frontal e traseiro. As séries de acabamentos e oferta de carrocerias repetiam as do modelo 1965. Apenas o LTD passou a ser uma série separada, não mais versão da série Galaxie. Enfim é nessa carroceria modelo 1966 que foi baseado o primeiro automóvel de passageiros da Ford fabricado no Brasil.
A linha de grandes Fords americanos seguiu o ritmo de alterações paulatinas entremeadas de remodelações completas (1969 e 1973), mantendo a série Galaxie como o modelo intermediário, entre Custom e LTD, até 1974. Para 1975, todos os níveis de acabamento foram consolidados sob o nome LTD, tornando o nome Galaxie extinto nos Estados Unidos com o modelo 1974.
Os modelos full-size da Ford americana prosseguiram carreira com as esperadas modificações de estilo e aprimoramentos mecânicos. De maior nota foram a redução do tamanho dos modelos a partir de 1979, com a introdução do novo chassi Panther, e, em 1992, de uma carroceria mais aerodinâmica e moderna, além do motor V-8 4,6-litros de comando de válvulas no cabeçote. Hoje o único modelo sobrevivente da linhagem de Fords grandes é o Crown Victoria, oferecido apenas com o citado motor 4.6 e carroceria sedã de 4 portas. Longe da época em que se produziam até 1 milhão de unidades de Fords full-size, o Crown Victoria segue com volume anual de vendas de cerca de 50 mil unidades, atendendo apenas ao mercado de frotas corporativas, táxis e viaturas policiais. Desde 2008 o grande Ford não é mais ofertado ao público em geral.
No Brasil: A Ford estava instalada no Brasil desde 1919. Começou montando conjuntos CKD do famoso Ford Modelo T em um pequeno prédio alugado à Rua Florêncio de Abreu, no centro velho de São Paulo (SP). Passou em seguida para um espaço maior, também alugado, localizado na Praça da República, na região do chamado centro novo da capital paulista.
Mas os planos da Ford para o Brasil eram mais ambiciosos. A empresa iniciou a construção de um conjunto de prédios próprios, especificamente concebidos para a produção de veículos, os primeiros na América Latina. Seguindo o padrão de suas plantas norte-americanas, foram erguidos à Rua Sólon, no bairro do Bom Retiro, junto à linha da São Paulo Railway (Santos-Jundiaí). Em 1921, a nova fábrica da Ford do Brasil já se encontrava em pleno funcionamento.
Porém, no início dos anos 50, tal endereço não mais comportava o volume de veículos Ford que o mercado brasileiro demandava. Uma nova fábrica foi erigida, desta vez no bairro do Ipiranga, também junto à linha férrea, e para lá a Ford se mudou em 1953, o mesmo ano em que foi proibida no Brasil a importação de veículos já completamente montados.
Com a instauração do plano de nacionalização da produção de veículos automotores por Juscelino Kubitschek a partir de 1956, a Ford decidiu-se, num primeiro momento, apenas pela fabricação de veículos comerciais: caminhões de média tonelagem F-600 (a partir de agosto de 1957) e picapes F-100 (em outubro do mesmo ano). Curiosamente, a arqui-rival General Motors, desde 1925 instalada no Brasil e com planta própria em São Caetano do Sul (SP) desde 1930, seguiu os mesmo passos, iniciando sua produção de modelos nacionais apenas com picapes e caminhões.
Portanto, embora tradicionais e muito reconhecidos pelo público consumidor brasileiro, os veículos de passageiros das marcas Ford e Chevrolet deixaram de ser ofertados, levando esse público às outras opções que surgiram, curiosamente de marcas não tão conhecidas no País mas as quais o público viu-se forçado a consumir: Volkswagen, DKW, Aero-Willys , Renault Dauphine e Simca. Destas, apenas o Aero-Willys tinha genética de carro americano, muito embora alguns degraus abaixo dos Fords e Chevrolets aos quais o público estava acostumado.
As duas gigantes americanas só iriam oferecer automóveis de passageiros aos brasileiros a partir da segunda metade dos anos 60. A Ford bem que tentou iniciar, já no início daquela década, a fabricação local do modelo Fairlane ’59, mas os planos da Ford contrariavam aqueles instituídos pelo GEIA, que determinavam a progressiva utilização de componentes nacionais. Àquela altura, a percentagem determinava 95% do peso do veículo com peças nacionais, mas a Ford propunha a utilização de muitos componentes importados, principalmente os de caráter mecânico.
De qualquer maneira, a Ford seguiu seu projeto de nacionalização de um automóvel de passageiros, concretizando-o antes da General Motors. Em abril de 1965, a empresa anunciou oficialmente sua intenção de fabricá-lo no Brasil. A Ford optou pelo modelo que dava continuação àqueles conhecidos dos brasileiros até a metade dos anos 50, ou seja, seus automóveis de tamanho-padrão (standard size). O modelo foi baseado nas versões 1966, mas lançado em apenas uma série de acabamento, um único tamanho de motor, e só na configuração sedã de 4 portas: O Ford Galaxie 500.
Vale lembrar que entre os anos 50 e 60, os chamados carros de tamanho-padrão cresciam à medida que uma nova geração era lançada. Os Fords, assim como os modelos correspondentes das outras marcas, tornaram-se realmente grandes, tanto que houve espaço no mercado para novos modelos de tamanho intermediário (mid-size), situados entre os citados grandes e os compactos lançados a partir de 1959.
A princípio pode parecer estranho que um carro tão grande e caro pudesse ser a escolha da Ford para seu primeiro automóvel fabricado no Brasil, um mercado de volume de vendas globais limitado, mais limitado ainda no segmento de luxuosos. Mas o Galaxie 500 vinha atender os fiéis compradores de Fords bem como as classes mais abastadas. E também se mostrou uma boa jogada de marketing, na medida em que gera a percepção no público de que, se uma empresa pode fabricar um carro grande, luxuoso, sensacional como o Galaxie com tanta competência, qualquer outro modelo menor há também de ser excelente. Ou seja, modelos menores e mais acessíveis que viessem a ser lançados pela Ford beneficiar-se-iam da aura de luxo e qualidade do Galaxie. Some-se a isso que o Galaxie poderia ter sua oferta iniciada mais rapidamente, uma vez que poderia contar com o motor V-8 já em produção há anos no Brasil para equipar os veículos comerciais da Linha F.
O primeiro Galaxie 500 foi apresentado ao público em São Paulo no V Salão do Automóvel em novembro de 1966, mas a produção iniciou-se apenas em fevereiro do ano seguinte, com vendas a partir de abril.
O Galaxie 500 brasileiro repetia as linhas do modelo norte-americano de 1966, com sua carroceria sedã 4 portas montada sobre chassi de longarinas perimetrais, 5,33 m de comprimento, 2 m de largura e entre eixos de 3,02 m. O estilo era marcado por suas linhas retas, os dois pares de faróis montados verticalmente, a ampla grade cromada incorporando os piscas, e as lanternas traseiras quadradas, com luzes de ré incorporadas. O amplo capô trazia um ornamento em formato de brasão composto de três figuras representando as gerações da família Ford no comando da empresa: Henry Ford, Edsel Ford e Henry Ford II. A carroceria era oferecida em 8 cores diferentes, e dispunha opcionalmente do teto pintado de branco. Completavam o visual as grandes calotas, por seu formato apelidadas de “chapéu mexicano”.
O interior tinha espaço mais que suficiente para 6 passageiros nos seus dois bancos inteiriços. O acabamento era bastante luxuoso se comparado aos modelos nacionais de então. O rodar macio e silencioso evidenciava ainda mais o caráter de carro de luxo do Galaxie 500.
Apesar de se apresentar em uma única versão de nível de acabamento, carroceria e motor, às oito opções de cores externas somavam-se quatro opções de acabamento interno: preto, azul, vermelho e bege.
Mecanicamente o motorista contava com direção hidráulica e câmbio mecânico de 3 marchas com alavanca montada na coluna de direção acoplado ao motor V-8 Y-block Power King de 272 pol3 (4.458 cc e 164 hp), de fabricação nacional, suficiente para levar o sedã de 1.700 Kg a uma velocidade máxima de 165 Km/h. Ainda no conjunto mecânico, suspensões dianteira independente e traseira com eixo rígido, ambas com uso de molas helicoidais e amortecedores telescópicos, e freios a tambor nas 4 rodas. O tanque de combustível tinha capacidade para 76 litros.
No painel, de linhas notadamente americanas, poucos instrumentos: relógio elétrico, velocímetro em escala horizontal, marcador do nível de gasolina, uma constelação de luzes espia e só. Chamava a atenção o freio de estacionamento, liberado através de alavanca manual sob o painel, mas acionado por um pedal, à esquerda dos demais pedais. Acessórios incluíam rádio, ventilador e quebra-ventos com abertura através de manivelas. Enfim, um conjunto excepcional para o mercado brasileiro, mas que ficava muito aquém daquilo que se considerava um carro de luxo no país de origem do Galaxie. Nos EUA, vidros elétricos e ar condicionado, entre outras mordomias, já eram lugar-comum, mesmo em automóveis de preço médio.
No Brasil, o Galaxie beneficiava-se da total ausência de concorrentes diretos. Ficava no topo de tudo o que se fabricava no Brasil em termos de tamanho e preço. Um degrau abaixo (bem abaixo) ficavam o trio Aero-Willys/Itamaraty e a dupla Regente/Esplanada da Simca, todos eles muito menores, com motorizações limitadas e de concepção geral defasada. Pode-se dizer que o Galaxie teve ótima aceitação dado o seu preço e tamanho: 9.237 unidades foram produzidas em 1967, resultado jamais igualado ou superado nos anos posteriores, até o final da produção da linha. Também em 1967, a revista Mecânica Popular elegeu o Ford Galaxie o Carro do Ano.
Sendo ainda novidade, o Galaxie 500 não apresentou maiores alterações no modelo 1968. Durante aquele ano, o carro ganhou espelho retrovisor externo e ar condicionado opcionais.
A linha ’69 foi ampliada com o lançamento de uma versão ainda mais luxuosa, a LTD. Em relação ao Galaxie 500, o LTD trazia acabamento interno mais refinado, com novos revestimentos, aplicações de jacarandá no painel e na forração das portas, descansa-braço central no bando traseiro e espelho de cortesia no pára-sol do passageiro. Por fora, grade dianteira diferenciada, mais elegante, com piscas ocultos, e teto de vinil preto. Na mecânica, direção hidráulica e motor V-8 maior e mais potente, de 292 pol3 (4.785 cc, 190 hp) como itens de série. Ainda no LTD eram opcionais pintura metálica, ar condicionado e câmbio automático de 3 marchas, o primeiro instalado num modelo de fabricação nacional.
No Galaxie 500 ’69, as alterações se limitaram a detalhes na grade, frisos, ausência do brasão no capô, acabamento e à oferta, opcional, do ar condicionado e do motor 292, mas apenas quando “casado” com o câmbio automático.
Apresentada em novembro de 1969, a linha Galaxie ’70 apresentou o motor 292 como equipamento de série em todas as versões, inclusive no novo Galaxie básico (sem o “500”), apelidado de “Teimosão” ou “Pé-de-Camelo”, uma referência às malfadadas versões populares (e “depenadas”) do Renault Gordini e do Volkswagen Sedan, respectivamente o Teimoso e o Sedan Pé-de-Boi, lançadas em meados dos anos 60.
O Galaxie “Teimosão” foi uma tentativa da Ford de competir com a linha Dart lançada na mesma época em substituição à linha Esplanada (lembramos que as operações da Simca no Brasil passaram ao controle da Chrysler em 1967). O “Teimosão” resumiu-se a uma versão bem simplificada do Galaxie 500, com menos acessórios e cromados, acabamento mais simples, forrações em plástico, ausência de relógio de horas no painel, calotas pequenas e preço mais em conta. Não foi o sucesso esperado, tendo pouco ou nenhum efeito sobre as vendas do Dodge Dart.
Nos demais modelos ‘70, poucas alterações. No Galaxie 500, partes da grade foram pintadas em preto fosco. No LTD, grade retocada e pintura em preto fosco nas laterais, abaixo do vinco inferior. Em ambos, reposicionamento de frisos e emblemas, e inclusão de sinalizadores tipo “olho-de-gato” nos pára-lamas traseiros.
Na linha 1971 ocorreram algumas alterações de ordem estética, com grades e logotipos ligeiramente modificados, novas lanternas traseiras divididas em três seções verticais, reminiscência das famosas lanternas do Mustang. As luzes de ré, até então incorporadas no centro das lanternas, passaram a se alojar nos pára-choques. E o LTD ficou ainda mais luxuoso. Passou a chamar-se LTD Landau.
Visualmente, o LTD Landau diferia-se do Galaxie, além de grade, emblemas e adornos, pela presença do teto, sempre forrado de vinil, com um vigia traseiro menor, que dava mais elegância e privacidade aos passageiros do banco traseiro. Havia também adornos nas colunas C em forma de “compasso” que sugeriam o mecanismo da estrutura de capotas conversíveis dos antigos landaus à tração animal. Ainda externamente, a pintura em preto fosco abaixo do vinco inferior deu lugar a um friso cromado com parte central em preto, e as calotas eram novas, raiadas, simulando as rodas das antigas carruagens. No capô, novo adorno, inspirado na “mira” dos modelos Lincoln norte-americanos, mas posicionado horizontalmente. Tal qual o Galaxie e o Galaxie 500, o LTD Landau ’71 era movido pelo velho motor Y-block de 4,8 litros.
A linha ’72 não sofreram maiores alterações: havia freios dianteiros a disco opcionais e teto de vinil areia opcional para o LTD Landau. Ao final deste ano-modelo, o Galaxie “Teimosão” é descontinuado.
Grandes alterações ocorrem na linha ’73, mas apenas em nível estético. Houve adoção de novo visual frontal e traseiro nas versões Galaxie 500 e LTD Landau remanescentes. O capô foi modificado, com porção central mais alta, a fim de casar com as novas grades. No Galaxie 500, a grade era composta de frisos horizontais. No Landau, um conjunto estreito de frisos verticais sugeria a grade do radiador dos antigos automóveis fabricados nos anos 30. Tal grade era ladeada por painéis na cor da carroceria nos quais as luzes indicadoras de direção se alojavam. A traseira apresentou novo perfil, inclinado em sua porção superior, na qual eram instaladas as lanternas, agora menores. A porção inferior era decorada com painéis, liso e prateado no Galaxie 500, e com frisos horizontais cromados sobre fundo preto no LTD Landau. O Galaxie 500 passou a compartilhar as calotas “raiadas” com o LTD Landau. O motor 292 foi mantido.
A linha de grandes Fords só viu modificações de maior monta a partir dos modelos para 1976. A linha passou a comportar três séries distintas: Galaxie 500, LTD e Landau. Como esperado houve mudanças visuais na frente e na traseira. O ressalto no capô se tornou mais largo, os dois pares de faróis passaram a ser montados horizontalmente, e as luzes de direção foram montadas nas extremidades dos pára-lamas dianteiros. Os pára-choques foram redesenhados e agregaram uma cinta de borracha em substituição aos antigos batentes. O pára-choque dianteiro contava com uma abertura central para melhor admissão de ar e refrigeração do motor, e ostentava a placa de licença montada à esquerda, seguindo modismo norte-americano e liberando a abertura de ventilação.
O Galaxie 500 ’76 manteve a tradição da grade com frisos horizontais, desta vez incorporando os faróis, num estilo bastante inspirado no Mercury 1968. O LTD e o Landau seguiram o tema de grade de radiador com aletas verticais e faróis alojados em painéis na cor da carroceria. O painel traseiro foi totalmente modificado. As lanternas eram agora 2 conjuntos compostos de 3 gomos retangulares cada, instalados na parte inferior do painel traseiro. As luzes de ré continuaram alojadas no pára-choque. As calotas raiadas eram comuns ao Galaxie 500 e ao LTD. O Landau ganhou novas calotas, lisas, feitas em aço escovado. Em todos os modelos, o painel foi ligeiramente redesenhado, com quadro de instrumentos único, acolchoado, e os interiores ganharam novos revestimentos.
Apesar do estilo frontal comum às versões LTD e Landau, a este último ficou reservada a exclusividade das novas calotas, do teto (agora sem os “compassos”) com vigia traseiro menor, e da combinação da pintura metálica Prata Continental com teto de vinil prata. No interior, luzes de leitura para os ocupantes do banco traseiro e vidros verdes (opcionais no Galaxie 500 e LTD).
Além do visual e da maior oferta de versões, a linha Galaxie ’76 abandonou o velho motor Y-block de produção nacional em favor de um motor V-8 mais moderno, importado dos Estados Unidos, já conhecido desde 1973 quando o mesmo começou a equipar o Maverick GT. Tratava-se do famoso 302 V-8 (4949 cc, 199 hp). O câmbio mecânico de 3 marchas era ainda item de série em todas as versões. O câmbio automático, bem como o ar condicionado, eram opcionais.
A linha Galaxie seguiu carreira no Brasil até o início dos anos 80 sem grandes modificações. Duas crises do petróleo (1973 e 1979), preço do combustível nas alturas, com limitações para sua aquisição (postos fechados à noite e nos fins de semana) e recessões econômicas eram fatores que colaboraram para a extinção dos carros grandes e beberrões feitos no Brasil. Portanto, a linha Galaxie estava com os dias contados, e a Ford obviamente não fez maiores investimentos nos modelos.
A linha ’77 surgiu sem alterações exceto pela oferta de novas cores. Na linha ’78, apenas o Landau teve sua cor exclusiva Prata Continental substituída pela Cinza Executivo Metálico casado com teto de vinil preto.
Em abril de 1978, foi lançada uma chamada Série II, que trouxe mais alguns mimos e itens de segurança: pára-brisa degradê do tipo laminado, novos estofamentos, volante de 4 raios (emprestado do Corcel II LDO), limpador do pára-brisa intermitente, rádio AM/FM com toca-fitas e antena elétrica, cintos de segurança (ainda abdominais) retráteis para os dois passageiros da frente e pneus radiais.
Para 1979, o Galaxie 500 teve sua grade pintada em preto fosco, assim como parte dos frisos verticais da grade do LTD e Landau, intercalada com os frisos ainda em prata fosco.
Em todos os modelos, novo aparelho de ar condicionado embutido no painel, tanque de combustível com capacidade ampliada para 107 litros e borrachões nas laterais. Foi lançado o Landau Série Especial, uma edição limitada a 300 unidades alusiva aos 60 anos da Ford no Brasil, na exclusiva cor Bordeaux Scala Metálico. Ainda durante 1979, a versão mais barata (menos cara) da linha, o Galaxie 500, deixou de ser ofertada.
Em 1980, LTD e Landau passaram a contar com sistema de escapamento duplo, novo espelho retrovisor externo com controle interno de regulagem, abertura do porta-malas por comando elétrico, luzes de posição laterais nos pára-lamas traseiros (substituindo os “olhos de gato”) e, mais importante, a partir do 2º semestre, a disponibilidade do motor 302 a álcool. O Landau agora ostentava a exclusiva cor Azul Clássico, ainda combinada com o teto de vinil preto.
Os modelos 1981 receberam apenas retoques: as luzes de ré passaram a ocupar o espaço dos gomos retangulares internos das lanternas, a grade de frisos verticais ganhou uma “continuação” na abertura inferior do pára-choque, e os cintos de segurança dianteiros retráteis passaram a ser do tipo 3 pontos. O Landau foi disponibilizado em outras opções de cores além do Azul Clássico. No final do ano, o LTD saiu de linha, restando apenas ao modelo Landau a função de representar a linha de carros de maior porte e luxo do mercado nacional.
O Landau não teve maiores alterações até 1983. Em janeiro daquele ano a fábrica anunciou aos distribuidores o iminente encerramento da produção do modelo, o que ocorreu efetivamente no mês seguinte. Completou-se assim um ciclo de exatamente 16 anos de produção da linha Galaxie no Brasil, durante o qual 77.647 unidades foram produzidas. Muitas delas ainda sobrevivem graças à dedicação de colecionadores zelosos, que acreditam que nunca houve ou haverá um carro brasileiro mais confortável e de maior presença.
Produção: A linha Galaxie, incluindo as versões Galaxie, Galaxie 500, LTD e Landau, teve uma produção total registrada de 77.647 unidades entre 1967 e 1983. O volume anual da produção foi o seguinte:
|
ANO
|
TOTAL
|
|
1967
|
9.237
|
|
1968
|
7.212
|
|
1969
|
5.544
|
|
1970
|
4.017
|
|
1971
|
4.400
|
|
1972
|
5.231
|
|
1973
|
5.979
|
|
1974
|
6.110
|
|
1975
|
4.654
|
|
1976
|
7.063
|
|
1977
|
2.965
|
|
1978
|
4.754
|
|
1979
|
5.061
|
|
1980
|
2.971
|
|
1981
|
1.125
|
|
1982
|
1.199
|
|
1983
|
125
|
Tio Lin, novembro de 2008