Olá, carrófilos dos Brasil!
Hoje temos a história de mais um modelo estrangeiro, muito raro em nosso país: o Skoda Octavia.
A Skoda (Skodovy Zavody) foi uma dos maiores grupos industriais do antigo Império Austro-Húngaro. Após a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), o área onde a empresa estava sediada , em Pilsen, foi anexada ao terrítório da Tchecoslováquia. A partir de 1923, a Skoda passou a dedicar-se também à produção de veículos de passageiros. Seus primeiros modelos eram projetos Hispano-Suiza fabricados sob licença da empresa franco-espanhola.
Em 1925, a Skoda assumiu as operações da Laurin & Klement, fabricante de veículos de passageiros desde 1905, na cidade de em Mladá Boleslav, e a produção de carros com a marca Skoda iniciou-se nesta fábrica, modelos inicialmente baseados nos velhos projetos da Laurin & Klement.
Em 1929, surge o primeiro Skoda de desenho próprio, o modelo 422, equipado com um pequeno motor de 995 cm3 de 20 hp. A linha Skoda evoluiu para modelos mais aprimorados, como o Popular em 1934, uma evolução do 422. Ao Skoda Popular pode ser conferida a primazia de ter sido o primeiro automóvel com o chamado “transeixo”, ou seja, motor dianteiro e caixa de câmbio junto ao eixo traseiro, solução atualmente adotada em vários modelos esportivos, tais como o Chevrolet Corvette, pois confere melhor distribuição de pesos e, ao mesmo tempo, libera espaço na porção dianteira do veículo, inclusive em benefício dos passageiros da frente.
Outros modelos Skoda incluíram o Rapid (1380 cm3, 22 hp), o luxuoso Superb (motores de 6 e 8 cil, 2480 a 4000 cm3, 50 a 96 hp), o Favorit (1936, 1800/2000 cm3, 38/55 hp) e o Monte Carlo (chassi do Popular, motor do Rapid).
Após a Segunda Guerra Mundial, o regime comunista foi implantado nos países do leste europeu. A Skoda foi nacionalizada, e a produção do modelo 1100 do pré-guerra foi reiniciada em 1946, rebatizado Skoda 1101 (1089 cm3, OHV, 32 hp), também conhecido como Skoda Tudor em alguns mercados de exportação. Após a produção de aproximadamente 80 mil unidades da série 1100, este foi sucedido, em 1952, pela série 1200 (1221 cm3, 36 hp).
Em 1954, surge o modelo Skoda 440, também conhecido como Skoda Spartak. O 440 era um pequeno sedã convencional, com carroceria monobloco, motor dianteiro (1089 cm3, 40 hp) e tração traseira. À linha somaram-se em 1957 os modelos 445 e 450, ambos equipados com motores de 1221 cm3 e 50 hp. O modelo 445 repetia a carroceria sedã do 440, mas o 450 era uma graciosa versão conversível, 2+2 lugares, com desenho frontal próprio.
Em 1959, a linha 440 evoluiu para os modelos Octavia. O Octavia básico mantinha a carroceria do 440 com algumas alterações estéticas, notadamente na frente, e mantinha o motor de 1089 cm3, com 43 hp. O câmbio era manual de 4 marchas, ao qual poderia ser adicionada, opcionalmente, a embreagem automática Saxomat. Com 406,5 cm de comprimento, a distância entre-eixos era de 240 cm, e o peso em ordem de marcha era de 890 Kg.
A linha somava os modelos sedã Octavia Super e conversível Felicia, ambos equipados com motor de 1221 cm3 (45-47 hp no Super; 50-54 hp, e dupla carburação no Felicia).
Assim como o 440 que lhe deu origem, o Octavia tinha estilo simples mas agradável, em sincronia com a escola européia até a metade dos anos 50. Destacavam-se os pára-lamas dianteiros, com uma “linha de velocidade” estampada logo acima das caixas de roda. O interior do sedã 2 portas reservava bom espaço para quatro ocupantes, além da boa visibilidade proporcionada pela ampla área envidraçada.
A linha 1960 acrescenta o sedã Octavia Touring Sport, com o mesmo motor do Felicia (54 hp) e estilo frontal também emprestado do conversível, ou seja, abertura frontal ovalada com moldura cromada e grade de elementos vasados retangulares, ligeiramente enclinada para trás, um desenho bastante semelhante ao dos DKW nacionais a partir de 1958. Por seu lado, o Felicia conversível ganha opção de teto rígido removível.
Em 1961 as versões Octavia e Octavia Super exibem novo estilo frontal. A grade ovalada, anteriormente cortada por um par de frisos (“bigodes”) com a logomarca Skoda no meio, é substituída por outra, também ovalada, mas com moldura cromada e grade de elementos vasados retangulares, sem emblema. Ainda para a linha 1961 surge a perua Octavia Combi, de 2 portas, equipada com a mecânica do Octavia Super
Em 1962, a modificações limitaram-se ao acréscimo, em todas as versões de carroceria, de apêndices aos pára-lamas traseiros em forma de pequenos rabos de peixe, uma concessão à influência americana no design dos carros europeus, mas que já estava saindo de moda no início dos anos 60.
Os Skodas das séries 400, Octavia e Felicia foram os últimos modelos da marca com motor dianteiro e tração traseira. Até 1971, quando saiu de linha a última perua Octavia Combi, cerca de 380 mil unidades destas séries haviam sido produzidas.
O sedã Octavia e o conversível Felicia foram descontinuados após o lançamento do modelo 1100MB de 1964, o primeiro de uma linha de Skodas com motor e tração traseiros. A Skoda só se voltaria ao layout moderno de motor transversal e tração dianteiros a partir de 1987 com um pequeno hatchback com carroceria desenhada por Bertone e que ressuscitou o nome Favorit.
Com o fim da influência soviética sobre os países do leste europeu no final dos anos 80, teve início o processo de privatização das indústrias daqueles ex-países da cortina de ferro. Em abril de 1991, a Skoda passou a fazer parte do Grupo Volkswagen. Em 1994, o Favorit recebeu aprimoramentos estéticos, mecânicos e de qualidade, fruto da tecnologia de sua nova matriz, e reviveu o nome Felicia.
Em setembro de 1996, o nome Octavia foi relançado, desta vez na forma de um novo sedã médio, 4 portas, com perfil 3 volumes mas com uma prática traseira hatchback (ou liftback, ou seja, tampa do porta-malas incorporando o vigia traseiro). A reencarnação do Octavia tinha agora motor dianteiro montado transversalmente e tração dianteira. Em 1998 foi acrescentada à linha a perua Octavia Combi.
Essa linha Octavia dos tempos modernos era baseada na plataforma PQ34 compartilhada com o Volkswagen Golf IV, curiosamente a ser lançado apenas um ano mais tarde. A segunda geração do Octavia moderno chegou em 2004 como modelo 2005, mais uma vez compartilhando uma plataforma Volkswagen, a PQ35, do Golf V.
Os Skodas modernos, os modelos Octavia incluídos, são considerados como tendo uma excelente relação custo-benefício, pois são sofisticados em se comparando com seu custo de aquisição relativamente baixo. Embora sua produção seja voltada principalmente ao leste europeu, a linha Skoda vem conquistanto muitos e fiéis clientes em outras regiões do mundo.
Produção: os números, quando os há, são incertos. Pude coletar os seguintes volumes de produção em www.motorbase.com:
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MODELO
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ANOS
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PRODUÇÃO
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Skoda 440/445
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54-59
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84.792
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Skoda 450
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57-59
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n/d
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Octavia
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59-64
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227.258
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Octavia Touring Sport
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61-64
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2.273
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Octavia Combi
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61-71
|
50.193
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Felicia
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59-64
|
15.864
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